Autores: Marco Aurélio Palazzi Sáfadi1; Daniel Jarovsky2; Jacy Amaral Freire de Andrade3; Saulo Cavalcante da Silva⁴; Reine Marie Chaves Fonseca⁵.
Editor Chefe: Marcello Bertoluci
DOI: 10.29327/5660187.2025-8 | Cite este artigo
Introdução
O Diabetes mellitus (DM) está associado não apenas a complicações micro e macrovasculares, mas também à vulnerabilidade aumentada para doenças infecciosas1. Indivíduos com DM apresentam maior risco de infecções e de evolução para formas mais graves, além de hospitalizações prolongadas com maior mortalidade, comparados à população geral. A imunização emerge como uma estratégia preventiva capaz de mitigar o impacto dessas doenças.
Crianças e adultos com DM devem receber vacinas de acordo com as recomendações apropriadas à idade, conforme os esquemas preconizados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) / Ministério da Saúde (MS) e sociedades médicas, como Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
A revisão do esquema vacinal e sua adaptação ao calendário de vacinação vigente deve ser tão relevante quanto exames oftalmológicos, podológicos e laboratoriais. Por esta razão, o cuidado multidisciplinar para com o indivíduo com DM é fundamental. As vacinas aqui descritas vão ampliar o esquema básico de vacinação recomendado pelo PNI/MS, algumas delas disponibilizadas pelo serviço público, através dos CRIEs (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) e outras apenas em serviços privados de saúde.
Este material tem o objetivo de facilitar as orientações que o profissional de saúde necessita no cuidado rotineiro ao indivíduo com DM, através de consulta rápida sobre o tema das imunizações.
Histórico
As recomendações brasileiras para vacinação em pacientes com DM, consolidadas no guia da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) de 2019-2020, forneceram uma base importante para a prática clínica. Contudo, os últimos cinco anos testemunharam avanços científicos substanciais que necessitam ser incorporados.
A pandemia de COVID-19 trouxe um novo e potencialmente grave agente infeccioso (SARS-CoV-2), impulsionando o desenvolvimento de diversas plataformas vacinais, como as de RNA mensageiro (mRNA). Fruto da crescente detecção de patógenos causadores de infecção respiratória durante e após a pandemia, houve um reconhecimento ainda maior da importância do vírus sincicial respiratório (VSR) como patógeno relevante em adultos, especialmente aqueles que vivem com comorbidades.
Novas formulações e tecnologias vacinais foram introduzidas ou ganharam destaque, incluindo a vacina contra influenza de alta dose, a vacina recombinante contra herpes zoster (VZR), as vacinas pneumocócicas conjugadas de valência ampliada e vacinas contra infecção pelo VSR para adultos e idosos.
Por outro lado, muitas comorbidades podem estar associadas ao DM como patologias imunossupressoras, primárias ou secundárias ao uso de medicamentos, fazendo com que a triagem vacinal seja mais complexa e exija um trabalho multidisciplinar com outras especialidades.
Além disso, um corpo robusto de evidências sobre eficácia, efetividade, imunogenicidade e segurança de diversas vacinas, especificamente na população com DM ou em subgrupos relevantes, foi publicado neste período. Diretrizes internacionais foram atualizadas, e a própria SBIm lançou seu calendário para pacientes especiais para 2025, refletindo parte dessas mudanças. Torna-se, portanto, imperativo realizar uma análise crítica e atualizar as recomendações vigentes para garantir a melhor proteção possível aos pacientes com DM no Brasil
As recomendações de vacinação são continuamente atualizadas à medida que novas evidências científicas fundamentam alterações nos esquemas previamente estabelecidos, bem como a introdução de novas vacinas e estratégias de imunização. Informações mais detalhadas sobre imunização – incluindo o uso de imunoglobulinas isoladamente ou combinação com vacinas, abordagens de imunização passiva e ativa e protocolos de vacinação em situações de grave imunossupressão – podem ser consultadas em fontes especializadas, como diretrizes atualizadas, literatura científica e sites institucionais confiáveis.
A relação bidirecional entre DM e infecções
A associação entre DM e um risco aumentado de infecções é ampla e historicamente reconhecida, mas estudos recentes continuam a quantificar e detalhar essa vulnerabilidade. Dados epidemiológicos consistentes dos últimos anos confirmam que pessoas com DM apresentam um risco global de infecção que pode ser substancialmente maior em comparação com indivíduos sem a condição 2.
Essa suscetibilidade aumentada não é uniforme para todos os tipos de infecção. A magnitude do risco varia consideravelmente, sendo particularmente pronunciada para certas doenças infecciosas potencialmente preveníveis através da vacinação (quadro 1) 2,4 .
| QUADRO 1. DOENÇAS INFECCIOSAS POTENCIALMENTE PREVENÍVEIS ATRAVÉS DA VACINAÇÃO |
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É neste contexto que se torna fundamental o reconhecimento da relação bidirecional entre DM e infecção: o DM aumenta o risco e a gravidade das infecções, enquanto as infecções pioram o controle glicêmico e precipitam emergências hiperglicêmicas como cetoacidose diabética (CAD) e estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH). Esse ciclo vicioso reforça a importância da prevenção de infecções, onde a vacinação desempenha um papel primordial 2.
Além do aumento da incidência, o DM está associado a piores desfechos clínicos, maior risco de complicações para a maioria das infecções. Isso se traduz em maior necessidade de hospitalização, admissão em unidades de terapia intensiva (UTI) e taxas de letalidade e de mortalidade mais elevadas 2. Pessoas com DM são aproximadamente três vezes mais propensas a morrer por complicações da gripe ou doença pneumocócica. Embora o risco absoluto de infecção aumente com a idade para todos, o risco relativo adicional conferido pelo DM parece ser mais pronunciado em indivíduos mais jovens 4,5.
Isso sugere que os mecanismos de vulnerabilidade induzidos pelo DM (como os defeitos imunes ligados à hiperglicemia) são fatores de risco potentes por si só, independentemente da imunossenescência relacionada à idade.A maior suscetibilidade a infecções no DM é multifatorial e envolve aspectos que vão além da disfunção imune primária (quadro 2) 2:
| QUADRO 2. CONDIÇÕES QUE AUMENTAM A SUSCETIBILIDADE A INFECÇÕES |
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Disfunção do sistema imunológico pelo diabetes
Quando associado à hiperglicemia mal controlada, o DM induz a uma série de disfunções no sistema imunológico, afetando tanto a imunidade inata quanto a adaptativa. Esses efeitos deletérios contribuem significativamente para a maior suscetibilidade a infecções observada nesses pacientes. A hiperglicemia exerce múltiplos efeitos deletérios sobre as células e mecanismos imunes (Quadro 3) 2,5:
| QUADRO 3. EFEITO DA HIPERGLICEMIA SOBRE O SISTEMA AUTO-IMUNE |
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Os defeitos imunes resultam em uma capacidade reduzida de contenção de patógenos. A população com duas ou mais morbidades crônicas se torna progressivamente mais comum com a idade e se associa à alta mortalidade, redução do estado funcional e aumento do uso de cuidados de saúde ambulatoriais e hospitalares8. Portanto, precisam de uma abordagem mais ampla também no escopo da vacinação.
Resposta vacinal no diabetes
Apesar das alterações imunes do DM, a vacinação é uma intervenção essencial para pessoas com DM9. É importante reconhecer que a resposta imunológica à vacinação (imunogenicidade), medida por títulos de anticorpos, a qualidade de resposta imune, e as taxas de soroconversão, podem ser menores em comparação a indivíduos sem diabetes2.
O fator que mais interfere na magnitude e na qualidade da resposta vacinal em pacientes com DM é o controle glicêmico. O controle glicêmico inadequado está associado a menor imunogenicidade após a vacinação contra COVID-19 e, potencialmente, contra influenza e hepatite B.
Por outro lado, pacientes com controle glicêmico ótimo ( HbA1c < 7%) tendem a apresentar resposta imune similar à de indivíduos saudáveis da mesma faixa etária. Crianças com níveis elevados de HbA1c têm menor resposta a determinados sorotipos de Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, sugerindo um impacto negativo do controle glicêmico inadequado na imunogenicidade vacinal10. Esta forte correlação torna o controle glicêmico um componente integral da estratégia de vacinação no paciente diabético.
Uma imunogenicidade potencialmente reduzida não invalida a recomendação de vacinação. Pelo contrário, reforça sua importância, pois o objetivo primário é a prevenção das formas graves das doenças, complicações, hospitalizações e óbitos 10. Mesmo em cenários desfavoráveis como DM e controle glicêmico inadequado, as vacinas continuam a demonstrar efetividade significativa contra esses desfechos. A relação entre os níveis de anticorpos medidos (imunogenicidade) e a proteção clínica real (efetividade) nem sempre é linear, especialmente contra desfechos graves. Mesmo em situações de menor imunogenicidade, observa-se respostas imunes suficientes para prevenir hospitalização e morte 11,12.
No entanto, a possibilidade de uma resposta atenuada ou de um declínio mais rápido da imunidade pode justificar estratégias adaptadas para essa população, como o uso de doses de reforço, vacinas de maior dose ou com adjuvantes (quando disponíveis e apropriadas), além da necessidade de estabelecermos estratégias de vigilância e controle da situação imune destes indivíduos como, por exemplo, realização de testes sorológicos pós-vacinação em cenários específicos (como para hepatite B) 12.
Embora muitas infecções virais e bacterianas sejam consideradas primariamente afecções respiratórias e causem mortalidade respiratória significativa, evidências sugerem que tais patógenos possuem um impacto adicional devido às consequências mais amplas das doenças pulmonares13. Algumas dessas consequências incluem eventos cardiovasculares, exacerbações e agravamento de condições crônicas subjacentes, maior suscetibilidade a infecções bacterianas secundárias, declínio funcional e desfechos gestacionais desfavoráveis, todos os quais podem levar a um risco aumentado de hospitalização e morte 14.
Essencialmente, DM e infecções estão intimamente conectados e têm o potencial de desencadear um ciclo de agravamento equilíbrio saúde-doença. Tratar o diabetes, garantir vacinação oportuna e gerenciar as infecções de forma eficaz compõem uma abordagem crucial para minimizar o efeito dominó e favorecer a longevidade saudável de pessoas com DM.
Imunossenescência do sistema imune
Considerando o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida das pessoas com diabetes, é importante considerar a imunossenescência no contexto da resposta imune às infecções e às vacinas. A imunossenescência é multifatorial, e ambos os braços do sistema imune podem ser influenciados por fatores genéticos e extrínsecos como nutrição, exercício físico, comorbidades, estresse físico e mental, exposição prévia a microrganismos e toxinas, além de tratamentos farmacológicos.
As manifestações clínicas da imunossenescência são bem diversificadas e variam nas diferentes populações. Individualmente a experiência imunológica anterior de uma pessoa parece definir a habilidade de resposta a estímulos externos como infecção e vacinas, o que caracteriza a chamada imunobiografia. Com o envelhecimento, mudanças no sistema imune adaptativo e inato levam a inabilidades de responder a novos antígenos e de manter resposta imune de memória, maior propensão a resposta autoimune e persistência de baixo grau de inflamação.
A variação de receptores de linfócitos num indivíduo de 70 a 85 anos é cerca de 10-20% daquele encontrado em pessoas de 20-35 anos de idade; mas este repertório ainda é bastante diverso e suficiente para proteção se for adequadamente ativado. Ainda neste cenário, alguns tipos de linfócitos não têm habilidade de montar resposta apropriada de anticorpos contra novos antígenos, tendo estes anticorpos uma meia vida curta e em geral incapazes de fazer adaptação para anticorpos mais específicos, de maior durabilidade e de maior capacidade de defesa contra microrganismos. Contudo, na imunossenescência a resposta imune a antígenos previamente conhecidos é mais preservada, o que chama atenção para a necessidade de atualização dos esquemas vacinais anteriormente utilizados pelo indivíduo15.
Além de avaliar as complicações relacionadas ao diabetes, deve-se avaliar as comorbidades comuns que afetam as pessoas com DM (como doença celíaca, doença hepática autoimune e miastenia gravis em pacientes com DM1 16–19) e que podem resultar em estado hiper inflamatório crônico e/ou alteração da competência imunológica. Outras condições não relacionadas ao DM, e especialmente quando somadas, trazem consequências significativas à suscetibilidade a infecções e imunogenicidade às vacinas 8,20. Nestes cenários, pode ser necessário esquema de vacinação especial e complementar àquele indicado para DM – seja pela condição clínica adicional ou como consequência de seu tratamento específico.
Anamnese direcionada à vacinação em pessoas com dm
As visitas de acompanhamento clínico de pessoas com DM possuem frequências individualizadas para cada pessoa e costumam ocorrer pelo menos a cada 3–6 meses e, posteriormente, pelo menos anualmente 16. Nelas, além da avaliação do histórico médico, exame físico, exames laboratoriais e determinantes da saúde, cabe aos profissionais de saúde envolvidos nos cuidados de pacientes com DM analisar o histórico vacinal e as necessidades de vacinação durante as consultas de rotina 16.
Medicações que interferem no sistema imunológico
Corticosteróides
Os corticosteróide tem efeito imunossupressores do tratamento com corticosteroides a partir de uma dose equivalente a ≥2 mg/kg ou ≥20 mg/dia de prednisona ou equivalente, administrada por ≥14 dias consecutivos. Neste cenário de doses suficientemente imunossupressoras, surgem considerações adicionais sobre a segurança da vacinação com vacinas de vírus vivos.
O uso de corticoesteróides não é necessariamente uma contraindicação para a administração de vacina de vírus vivo quando a administração é:
| QUADRO 4. SITUAÇÕES ONDE O CORTICOSTERÓIDE NÃO É CONTRA-INDICAÇÃO PARA VACINA DE VIRUS VIVO |
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Não há evidência de aumento do risco de eventos adversos mais graves após vacinas atenuadas entre pessoas que recebem corticoterapia aerossolizada, portanto essa via de administração não deve configurar como motivo para postergar a vacinação 21.
Imunossupressores
Na presença de imunossupressão com os inibidores da calcineurina ( ciclosporina e tacrolimo), agentes biológicos ( anti-TNF, anti-IL-6 e anti-CD20) e os inibidores da Janus quinase ( tofacitinibe e baricitinibe), o cuidado multidisciplinar do paciente com diabetes mellitus deve ser implementado, pois torna-se fundamental para permitir uma avaliação mais abrangente dos aspectos relacionados à imunização,, com o objetivo de assegurar a abordagem mais segura e eficaz nesta população22-24.
Precauções, falsas contraindicações e contraindicações aplicadas à imunização
Somente uma triagem vacinal adequada é capaz de identificar variáveis que podem se constituir em precaução ou contraindicação para utilização de uma vacina. A seguir destacamos alguns pontos importantes:
| QUADRO 5. PRECAUÇÕES, E CONTRA-INDICAÇÕES VERDADEIRAS E FALSAS PARA VACINAÇÃO |
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Abordagem mais completa pode ser encontrada no Manual de Normas e procedimentos para Vacinação, do Ministério da Saúde25.
Vacinas especialmente recomendadas para pessoas com diabetes
A Associação Americana de Diabetes recomenda que pacientes com DM realizem o esquema vacinal básico proposto para a idade, mas pede atenção especial para as vacinas influenza, pneumocócica e hepatite B16.
Além dessas vacinas, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) inclui no rol de recomendações para estes pacientes a vacina tríplice bacteriana do tipo adulto (dTpa), a vacina herpes-zóster para os maiores de 50 anos, além da vacina de VSR para os indivíduos maiores de 60 anos com DM requerendo tratamento com insulina ou inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2) e naqueles com DM complicado por doença renal crônica, neuropatia, retinopatia ou outro dano a órgão-alvo23.
No Brasil, o Ministério da Saúde (MS), por meio dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), disponibiliza vacinas específicas e não constantes nos calendários de rotina para cada faixa etária, assim como esquemas de doses diferenciados, quando necessários 24. A definição dessas recomendações publicadas no Manual do CRIE e em notas técnicas do MS, além dos critérios técnicos determinados pelo Programa Nacional de Imunizações, considera também aspectos como o custo-benefício para a saúde pública e a disponibilidade da vacina. Para a vacinação nos CRIE, é necessário o encaminhamento médico.
Recomendações da SBD para pessoas com DM:
| TABELA 1. VACINAS ESPECIALMENTE RECOMENDADAS PARA PESSOAS COM DM | ||
| VACINAS | RECOMENDAÇÃO | |
| INFLUENZA |
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| COVID 19 |
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| VSR |
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| HERPES ZOSTER |
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| PNEUMOCÓCICAS |
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| HEPATITE B |
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NOTA IMPORTANTE 1: VACINAS COM RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS
- Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), as vacinas abaixo devem ser utilizadas de acordo com as recomendações específicas, contempladas em seus calendários para pessoas nas mesmas faixas etárias45
- Meningocócicas
- HPV
- SRCV
- Febre amarela
- Hepatite A
- Dengue
| QUADRO 7. DETALHAMENTO DAS VACINAS PARA DM |
| VACINAS CONTRA INFLUENZA |
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Agente infeccioso: vírus da influenza A, B e C (RNA virus). Característica da vacina: não-viva. Plataforma vacinal: vírus inativado fragmentado; subunitária (hemaglutinina). Tipos de vacinas licenciadas no Brasil: Vacinas inativadas de dose padrão (VII-SD):
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RECOMENDAÇÕES:
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| VACINAS CONTRA A COVID-19 |
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Agente infeccioso: SARS-CoV-2 (família Coronaviridae) Característica das vacinas: não-vivas. Plataformas vacinais: mRNA (Comirnaty® e Spikevax®); subunitária, recombinante (Covavax®). Tipos de vacinas licenciadas e atualmente em uso no Brasil:
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RECOMENDAÇÕES:
OBS: Recomendações atuais, tanto internacionais quanto brasileiras, tendem a focar nas vacinas de mRNA e de subunidade proteica, com formulações atualizadas para as variantes circulantes mais relevantes. Até a publicação deste documento, as vacinas são ofertadas exclusivamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) 33. |
Produtos disponíveis:
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| VACINAS PNEUMOCÓCICAS (Figura 3) |
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Agente infeccioso: Streptococcus pneumoniae (diplococo Gram-positivo conhecido como pneumococo). Característica das vacinas: não-vivas. Plataformas vacinais:
Tipos de vacinas licenciadas no Brasil:
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RECOMENDAÇÕES:
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| VACINA CONTRA HERPES-ZOSTER - RECOMBINANTE (gE-AS01B) |
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Agente infeccioso: vírus varicela-zoster (VVZ). Característica da vacina: não-viva. Plataforma vacinal: subunitária, recombinante (glicoproteína E do VVZ) + adjuvante AS01B. Vacinas licenciadas no Brasil:
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RECOMENDAÇÕES:
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| VACINAS CONTRA HEPATITE B |
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Agente infeccioso: vírus da hepatite B (vírus de DNA). Característica da vacina: não-viva. Plataforma vacinal: HBsAg recombinante (antígeno vacinal) Vacinas licenciadas no Brasil:
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RECOMENDAÇÕES:
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| VACINAS CONTRA O VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO (VSR) |
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Agente infeccioso: vírus sincicial respiratório (VSR) Característica das vacinas: não-vivas. Plataforma vacinal: proteína F pré-fusão recombinante (antígeno vacinal) Vacinas licenciadas no Brasil:
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RECOMENDAÇÕES:
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Sumário da evidência: Embora historicamente conhecido como um patógeno pediátrico, o vírus sincicial respiratório (VSR) tem sido reconhecido na última década como uma causa importante de doença respiratória em adultos, com impacto significativo em idosos e indivíduos com comorbidades crônicas, incluindo DM 26,69. A infecção por VSR pode variar de sintomas leves do trato respiratório superior a doença grave do trato respiratório inferior (ITRI), como pneumonia e bronquiolite (em lactentes), podendo levar à hospitalização e morte. Pacientes com DM apresentam risco aumentado de desenvolver doença grave por VSR e suas complicações, como exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou insuficiência cardíaca congestiva (ICC), hospitalização e mortalidade. Em algumas temporadas e populações, a carga de doença grave por VSR em idosos pode ser comparável ou até exceder a da influenza.
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Figura 3 – Esquema de vacinação recomendado para portadores de comorbidades de risco para doença pneumocócica invasiva com mais de 2 anos de idade (desenvolvido pelos autores a partir das referências 23,45
Figura 4 – Esquema Vacinal para HBV ( Adaptado pelos autores)
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Cite este artigo
Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, Daniel Jarovsky, Jacy Amaral Freire de Andrade, Saulo Cavalcante da Silva, Marcello Bertoluci, Reine Marie Chaves Fonseca. Imunização no Diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025). DOI: 10.29327/5660187.2025-8, ISBN: 978-65-5941-367-6.